quinta-feira, março 10, 2011

Transparências...

Ás vezes gostava de ser transparente...Daquela transparência incorpórea, daquelas que nâo se vê, não se sente, não se cheira. Como uma imagem perdida num vazio.Gostava de ser cristal de gelo e fundir em pequenas gotas. Gostava de me misturar com a terra. Cheirar a terra...Gostava de deslizar por entre as correntes de ar. Gostava de entrar por entre as frinchas das janelas, e agitar papéis em cima de uma mesa.Gostava de ser areia, para me tornar vidro.Gostava de ser um vitral numa catedral e escorrer com o peso da idade.Gostava de ser um lago em que se espelha a luz da lua.Gostava de ser o cristalino nos olhos de um milhão e ver o mundo por um milhão de olhos...Gostava de ser o vento que varre as folhas, para longe. Gostava de ser o fumo que sobe por uma chaminé, numa noite fria.Gostava de ser transparente e ser tudo, misturar-me com tudo...Gostava de ser uma explosão de nada e arrastar comigo o nada. Gostava de ser o nada que rodeia tudo.Gostava de ser impresente, irreal e continuar a existir.Gostava de ser onda e deslocar-me numa frequência só minha. Gostava de habitar os sonhos, ser sonho, perder-me por entre sonhos... Para depois voltar.Voltar de mansinho como brisa, passar por entre as frinchas e ocupar o vazio, incorporar no corpo que o meu ser deixou.Acordar e descobrir que és o tudo que o meu nada procura. Preencher a minha transparência,com cheiros, visões e sentidos... E deixar que se espelhe em mim uma opacidade, feita de camadas de ti...

Escrito a 07/03/2006. Estava na altura a apaixonar-me pelo meu marido, mas em luta comigo mesma.
Foi difícil voltar a amar...Estava dorida na altura, mas tu soubeste tocar-me.
Amo-te!
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